sábado, 23 de abril de 2011

Sexta-feira da Paixão e minha via-crucis…

Comer. Um hamburguer. Era tudo que eu queria fazer na última sexta-feira. Sete dias sem consumir carne vermelha. Meu corpo suplicava por proteína animal!

Dez horas. Da noite. Pego as chaves, ligo o carro e saio pela cidade. Meu itinerário: as hambuerguerias de Campo Grande (MS).

Via twitter (@o_burgao), recebi a informação de que essa opção estava descartada, pois eles não abririam na sexta-feira santa. Restavam-me as demais alternativas.

Recalculei a minha rota no meu “GPS mental”: Áquila Fast Fodd (@aquilafastfood), Canil Lanches, JA Hamburgueria, Gordinho’s, Gold Lanches (@goldlanches). Em vão: todos fechados, em plena sexta-feira!

Alguns poderão me recriminar: “—Mas era feriado, Mazinho! Era sexta-feira Santa!!!”. E eu, poderia devolver com outra pergunta: “—E o Kiko? Kikotenhoavercomisso?”

Como ex-católico, respeito a fé e defendo o direito do catolicismo de ter datas sagradas como a Sexta Feira da Paixão, serem mantidas como feriado religioso.

Mas meu “id” agnóstico, por outro lado, pergunta: “ – E quem não tá afim de se abster de carne, por motivos pessoais, fisiológicos ou puramente… por puro capricho?”. Como ficam?

Aí é que está o problema: não ficam!

É inaceitável pois, numa cidade do porte de Campo Grande (MS), capital de um Estado, praticamente todos os estabelecimentos alimentícios fechem suas portas em uma sexta-feira, apenas pelo fator “religioso”.

Por mais “catolicíssimo” que seja o proprietário, ele dever-se-ia lembrar que entre seus clientes, há “não-católicos” que pouco ligam para as tradições religiosas… e que a sexta-feira-santa, é uma sexta-feira diferente das demais, pelo simples fato de ser “um feriado”.

Mas eu vou além… este ano, o feriado de Tiradentes (21 de abril), caiu numa quinta-feira antecedente à Paixão de Cristo (22 de abril, sexta feira). Resultado: o êxodo em massa da população campograndense rumando para outros destinos (interior, litoral, etc).

Qual o impacto de um feriado prolongado como esse nas indústrias de alimentação, bares e afins? Será que a ABRASEL/MS teria a resposta?

Fato é: me senti absolutamente ABANDONADO. Senti na pele – por um dia, apenas – como é ser “marginalizado” pelo simples fato de ser “minoria”. Me pus a pensar, por exemplo, na questão dos Portadores de Deficiências e Necessidades Especiais…

Quantos locais eles são “impedidos” de frequentar, por não serem adaptados às suas necessidades?

Ou ainda, por mais que os FUMÍGENOS sejam abjetos para mim – compreendi a relutância deles em aceitar a Lei Anti-Fumo em locais públicos. Se bem que, no caso deles, não se compara aos PNDE’s, pois, por mais que o tabagismo seja uma doença… ela se inicia, quase sempre, por VONTADE do fumante, e só se torna vício, depois do uso habitual.

Fato: minha necessidade (ou “gula”, “fome”, “larica”… como desejar chamá-la) em comer CARNE só foi satisfeita no Pit Lanches.

Em rápido diálogo com o proprietário – enquanto pagava a conta, no caixa – ele me informou que há 12 anos abre, toda sexta-feira, não importando se é feriado ou não.

Taí uma coisa que anda em voga: respeito ao público fiel. Creio que os proprietários de estabelecimentos e a própria ABRASEL devam repensar essa prática.

Por “menos movimento” que se tenha, manter o estabelecimento aberto, inclusive em feriados prolongados ou religiosos, é DEMONSTRAR RESPEITO ao consumidor.

Afinal, nem só de cristãos sobrevive a Economia. Jesus Cristo, quando questionado se o povo deveria pagar os tributos aos romanos, decretou: “Dai a Cesar, o que é de Cesar; e a Deus, o que é Deus”.

Se você é cristão – católico ou protestante – e deseja abster-se do consumo de carne durante o Tríduo Santo (Paixão & Morte, Ressurreição e Páscoa), ótimo: faça-o (just it!).

Mas, não tente impor seus hábitos, tradições ou costumes aos “gentios” impuros e não-seguidores de seus costumes. Senão, estarão agindo e-x-a-t-a-m-e-n-t-e como os Fariseus, em relação ao Cristo!

Lembrai-vos: quando fizerdes algo de bom, não toqueis trombetas diante de si, para que os demais vejam; o Pai, no oculto e secreto, verás teu sacrifício!

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